PJ’s querem benefícios. E qual é a surpresa?

O Portal Contábeis publicou uma matéria interessante sobre uma pesquisa da Hero Company com a Opinion Box: profissionais PJ seguem preferindo o modelo, mas sentem falta de benefícios como plano de saúde, previdência e descanso remunerado.

Segundo o levantamento citado, 79% gostariam de plano de saúde vinculado ao trabalho, mas só 6% têm esse benefício; 60% gostariam de algum tipo de contribuição previdenciária por parte do empregador.

Até aqui, nada surpreendente…

O profissional PJ não virou monge franciscano só porque abriu um CNPJ. Ele(a) também fica doente, precisa se aposentar, quer tirar férias, tem família, boleto e medo de ficar sem renda. A diferença é que, ao sair da CLT, essas coisas deixam de vir “empacotadas” pelo Governo e passam a depender de negociação, organização financeira e contrato.

E aqui começam algumas imprecisões comuns nesse assunto

A primeira é tratar “benefícios” como se fossem necessariamente direitos da CLT. Não são. Plano de saúde, bônus, auxílio saúde e previdência privada não são mandatórios, e muitos trabalhadores não os tem. Por outro lado, podem perfeitamente existir numa contratação PJ, mas precisam ser combinados.

A segunda é dizer que o PJ escolhe o modelo por “autonomia” e “flexibilidade”, como se isso fosse consequência direta do CNPJ. Não é. Um PJ assalariado pode ter chefe, horário, reunião diária, colegas tóxicos e cobrança de entrega como qualquer CLT.

A liberdade maior costuma vir do perfil do profissional, do mercado aquecido e do poder de negociação – não da sigla PJ.

No fundo, a pesquisa mostra algo que defendemos há anos neste blog Contrato PJ: trabalhar como PJ pode ser ótimo, desde que o acordo seja bom. O problema nunca foi o CNPJ em si. O problema é aceitar proposta PJ ruim, sem descanso remunerado, sem regra de rescisão, sem compensar férias, 13º, FGTS e demais itens que fariam parte da conta numa comparação honesta com a CLT.

Também é perigoso vender a ideia de que oferecer benefícios ao PJ, por si só, reduz risco trabalhista. Pode até tornar a proposta mais competitiva e diminuir insatisfação. Mas risco jurídico só se reduz com contrato bem feito, realidade coerente com o contrato e remuneração justa. Copiar a CLT pela metade, sem entender o que se está fazendo, pode só trocar uma confusão por outra.

A boa notícia é que o mercado está amadurecendo.

O PJ de 2026 já não quer apenas “pagar menos imposto”. Ele quer previsibilidade, proteção e um acordo profissional. E os empregadores que entenderem isso antes dos outros vão atrair gente melhor.

A moral da história é simples: PJ não precisa ser precarização. Mas também não pode ser fantasia contábil.

PJ bom é aquele em que o profissional olha para o contrato, faz as contas, entende os riscos e conclui: “vale a pena para mim”. ✅