Dicas de currículo para Tecnologia da Informação

Só o fato de estar inserido na área de tecnologia da informação é um alento para o profissional. Segundo pesquisa da Catho ao final do ano passado – ou seja, em plena crise – as vagas nesse setor aumentaram 44%! Atendendo a pedidos, resolvemos trazer dicas de currículo e para entrevistas, segundo uma especialista em RH.

Conversamos com Meury Hermano, MBA em gestão de pessoas. Confira:

Dicas de currículo para profissionais de tecnologia da informação

Dicas de currículo

Contrato PJ: Para começar, diga suas principais recomendações para não tomar o tempo do recrutador, e falar logo o que ele costuma procurar.

Meury: O primeiro ponto é fazer o currículo inteiro tomando o cuidado de deixar claro as suas atividades e experiências. É mais fácil ler quando elas estão em tópicos, começando das mais difíceis para as mais simples. Citar nomes de sistemas operacionais, equipamentos e ferramentas já servem para detalhar suas habilidades. Se possível, ao lado das siglas, descrever a função de cada ferramenta, sistema ou plataforma.

O LinkedIn suporta uma quantidade bem maior de informações e detalhes estruturados. Qual o nível de profundidade certo no currículo, e o que deve ser aprofundado só no LinkedIn? 

Para o currículo, o ideal é dar informações sobre suas experiências, com mais detalhes, mas sem perder a objetividade. Cite os idiomas que fala e habilidades com sistemas e ferramentas específicas.

Trabalhos sociais e voluntários e viagens internacionais chamarão atenção, mas não serão os itens principais do seu perfil.

No LinkedIn, há serviços que proporcionam o envio direto para vagas do seu perfil. É importante tomar cuidado com a foto e não conter erros de português, inglês, ou qualquer outro idioma. A quantidade e tipos de contatos em sua rede não farão de você o perfil adequado para uma vaga, por isso, foque apenas nas informações que o recrutador busca. Todos os campos do LinkedIn são importantes, porém, deve dar preferência às informações sobre experiências, pois em meio a tantos currículos o selecionador estará focado no que quer encontrar.

Tem algum problema, ao final ou no cabeçalho do CV, convidar o recrutador a ver o perfil para saber mais detalhes? Isso pega mal?

De maneira nenhuma. É muito importante colocar links de trabalhos feitos, blogs, sites entre outros, pois estes detalhes serão bem visados e será um diferencial.

Na área de TI, existem muitas certificações e qualificações. Como eu posso escrever (no CV) e falar (na entrevista) de todas as credenciais detidas sem parecer arrogante?

Talvez o recrutador não conheça todos os termos e siglas de certificações na área de TI, principalmente se não for um especialista. Então, ao mencioná-las deixe escrito por extenso. Exemplo: Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD).

Algumas vagas exigem habilidades humanas e interpessoais bem aguçadas (soft skills). Profissionais de exatas muitas vezes deixam a desejar nesse ponto. Como passar uma boa impressão nesse aspecto?

Mostrar uma boa escrita já é um grande começo para aparentar habilidades humana e interpessoal. Por isso, saber relatar bem as atividades e transparecer isso em sua entrevista poderá contribuir para chances de passos importantes na seleção e carreira.

Qual a melhor impressão de: 1) programador / codificador; 2) analista de sistemas; 3) web designer; 4) coordenador de projeto…

Um analista precisa ser capaz de conceber e relacionar várias ideias ao mesmo tempo, para ajudar o usuário e resolver seus problemas. Empolgação e boa argumentação fazem bem aqui. Já para um programador, o perfil não é tão bom, pois ele facilmente vai querer contestar e incrementar as instruções que recebe, desconhecendo o orçamento e realidade do cliente / projeto.

A melhor impressão que possa ter é ser transparente sobre suas habilidades e personalidade.


Meury HermanoMeury Hermano é formada em Recursos Humanos, pós graduada e MBA em Gestão de Pessoas, atuante no mercado de RH há dez anos. No momento atua em uma empresa de tecnologia em São Paulo.

2016: Impeachment e mercado de trabalho em TI

Impeachment é a forma mais branda de um governo cair, e o último no Brasil aconteceu há vinte e quatro anos. Portanto, não é algo que se vê todo dia.

Devido às mazelas recentes, tem se falado mais do que antes sobre “como resolver o problema econômico”, e seria muito saudável se essa discussão se perpetuasse nos meios políticos e empresariais sem depender do famigerado processo de impeachment.

Impeachment 2016. O que fazer com o mercado de trabalho no pós-Dilma?

Um pouco de política para PJs

Um ponto inevitável nesse assunto é o grau em que o Estado interfere na Economia e nos mercados, seja na forma de regulação, incentivos ou atuação direta.

Vou precisar explicar como isso afeta o mercado de trabalho de TI e demais profissões pejotizadas, mas sem deixar o texto ficar chato.

O Intervencionismo é uma escola de pensamento que defende o controle máximo da Economia pelo Estado. O extremo disso é a visão marxista de todas as empresas e propriedades pertencerem ao Governo.

No lado oposto – ou seja, que o Estado deixe os compradores, vendedores e trabalhadores fazerem seus negócios e acordos por conta própria, com burocracia e regulação mínima – estão os pensadores adeptos ao Liberalismo, ou liberais.

Como na maioria das situações, extremos não são saudáveis. O mercado não funciona com excesso de regulação e nem pode fazer todas as vontades do gigante Estado. Tampouco pode ser justo se não houver regras claras e zelo pela competição leal.

Em nosso cotidiano, o maior exemplo de mau intervencionismo são as leis trabalhistas:

  • Já expliquei em “CLT x PJ: Como a inflação os afeta e como se proteger” como a CLT obriga os trabalhadores a perderem dinheiro ao longo das décadas de serviço;
  • Qualquer trabalhador já fica caro para as empresas. Aqueles que ganham mais (TI, medicina, corretagem) acabam tão caros que, ou não têm emprego, ou precisam pagar uma fortuna em impostos, por causa de cálculos não pensados para eles;
  • As empresas gastam mais com burocracia e encargos do que remunerando seus profissionais mais valiosos.

Mas será que o próprio Estado não tem capacidade de ir adaptando suas leis ao longo do tempo, de forma que elas não percam a coerência e acompanhem a evolução tecnológica, cultural e cotidiana das pessoas e empresas?

Esse objetivo exige que mais de 200 milhões de cidadãos, representados por seus deputados, concordem em criar uma regra geral adequada para todos. A CLT tem mais de 60 anos, foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em uma fase de industrialização tardia no Brasil. De lá para a era do Big Data, IoT e Analytics, pouca coisa mudou, devido às dificuldades legislativas em conceber uma regra perfeita e justa para o operário fabril, o data scientist, o motorista de caminhão, desenvolvedor, gerente de projetos, e demais perfis.

Depois do Impeachment

Um pequeno exemplo de liberalismo aplicado nas relações de trabalho seria permitir mais acordos bilaterais entre categorias, ou diretamente entre patrões e empregados. Seria ótimo se, por exemplo, a legislação desse a opção de a parcela do FGTS, em vez de custodiada pelo Governo, pudesse ser entregue ao profissional para ele guardar como desejar. Afinal, um analista financeiro tem mais informações sobre economia e investimentos do que um trabalhador que não teve a chance de terminar o ensino médio. Atualmente, é a inovação do “regime PJ” que supre essa necessidade.

Por questões ideológicas, o governo do PT praticou grandes influências na economia durante a última década. É um partido de políticas altamente intervencionistas.

Daqui para frente, esperamos que os inquilinos do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e dos ministérios, sejam quem forem, reconheçam o quanto o liberalismo cabe nas diferentes áreas da Economia. E principalmente que enxerguem a diversidade de perfis profissionais existentes no mercado, podendo tolerar relações trabalhistas tão diversas quanto.

Vale lembrar que a sociedade tem o papel de embasar essa empreitada, a começar pelo debate e disseminação de ideias.

Entrelinhas da EXAME: recado para pessoal de TI

Na edição que circula nesta quarta-feira, a conceituada publicação sobre economia e negócios da Abril, só com a capa, tira a fome de quem passa em frente a banca antes do almoço.

Capa da Revista EXAME com reportagem perturbadora sobre desemprego - Edição 1099 - Ano 49 - Nº 19 - 14 de Outubro de 2015
Capa da EXAME de Outubro

A reportagem de capa pinta com palavras e números um cenário nefasto. Em suma, a mensagem reza: entre janeiro e agosto de 2015, mais de 600 mil trabalhadores perderam seus empregos; ao fim de 2016 o acumulado deve chegar a 2 milhões, e o número ainda não contempla os 800 mil formandos do período.

A explosão de demissões, conforme entrevistas da edição, atinge desde uma moça de 20 anos, obrigada a trancar a faculdade por perder o emprego de recepcionista e não achar outro, até um engenheiro formado em 2010, cujo salário já chegou a 10 mil reais. Sim, até a próspera engenharia está condenando milhares ao desemprego anualmente. Começou em 2013 com uma queda drástica do saldo da geração de postos de trabalho na área; no ano seguinte o resultado negativou em 4 mil vagas, e dobrou só no primeiro semestre de 2015.

A boa para nós, de TI, está nas entrelinhas do apocalipse: um dos gráficos da reportagem principal esquematiza a extinção de postos de trabalho por setor. Na comparação, o item “Serviços” (entenda-se: desde faxina doméstica e corte de cabelo até o gerenciamento de data centers) teve 5.500 demissões de janeiro a agosto. Para se ter ideia, na “Indústria” e no “Comércio” foram 500 mil no mesmo período.

A revista faz um paralelo com o surto de prosperidade que marcou a década passada: dois milhões de empregos gerados por ano, aumento de 33% na renda dos trabalhadores e crescimento acentuado da proporção de contratações com carteira assinada (CLT), que subiu de 46% para 55% do pessoal ocupado até 2014.

Desemprego e trabalho “informal”

Ante essas e outras, já na carta de apresentação os editores concluem que voltará a aumentar a informalidade, usando este termo para generalizar os trabalhadores PJ e outras classes. Logo em seguida, dividem toda a população em dois grupos: os que têm a plenitude dos direitos trabalhistas, e os milhões “entregues à própria sorte”.

Pela experiência do autor, a sorte de alguns “informais” tem dado uma vida melhor do que as carteiras de trabalho. Um dos problemas macroeconômicos do País é o alto custo do vínculo empregatício, e isso impacta diretamente na produtividade das empresas, a qual também tem caído na crise. O remédio para esse mal é uma formalização alternativa, como o regime PJ, sem preterir a honestidade e a boa fé das duas partes.

Dessa forma, a Legislação Trabalhista se torna um pilar do desemprego, um grande exemplo de intervenção deletéria do Governo na Economia. Ainda mais no caso do nosso, com um longo histórico de desserviços prestados a cidadãos que pagam impostos superiores a 20% de sua renda (pelo menos os CLT).

Então, quais impostos a pagar trabalhando como PJ?

Na próxima semana publicaremos um guia do quanto o trabalhador precisa pagar se sua contratação for PJ, dependendo da profissão. Por enquanto, uma coisa dá para garantir: é bem menos do que um CLT, e o empregador não paga nada além do salário. Para receber a matéria, basta assinar nossa newsletter e ficar de olho no email.

O escritório de contabilidade Digitool, parceiro mantenedor do blog Contrato PJ, tem ajudado profissionais PJ com serviços contábeis formatados precisamente para esse tipo de cliente.

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Finanças pessoais

Sobre esse assunto, a recomendação é não ser tão exigente na busca pelo emprego perfeito. Afinal, especialistas em finanças pessoais são unânimes na ordem do dia: manter-se com renda garantida até a tempestade cessar.