O que é pejotização

O que é Pejotização?

Pejotização é o nome que se dá à manobra de formalizar uma relação trabalhista como se fosse uma relação entre empresas (cada uma com seu CNPJ).

Portanto, quando falamos em “pejotização” estamos falando de profissionais assalariados – os que trabalham numa só empresa todos os dias, na maior parte do tempo, e recebem um salário mensal.

Profissionais autônomos, liberais e que atendem vários clientes podem ter ou não o seu CNPJ, mas o nome disso já não é “pejotização”.

Sem entrar no mérito de ser lícito ou não (até porque a discussão é interminável e improdutiva), é importante fazer essa distinção.

Ficou claro? 😉

Três tipos de trabalhador. Pejotização acontece apenas com assalariados
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PJ - Como declarar Imposto de Renda (na pessoa física)

Profissional PJ: Como declarar Imposto de Renda?

Profissionais PJ (bem como sócios de empresas) também precisam declarar seus rendimentos ao Imposto de Renda pela sua pessoa física (IRPF). Veja aqui a forma correta de fazer essa declaração.

Mas antes de prosseguir, é importante que você tenha clareza sobre a diferença entre Pró Labore e Distribuição de Lucros – coisa que explico neste vídeo e aqui.

Declarando o Pró Labore

Esta parcela deve ser declarada no mesmo lugar onde o CLT informa o seu salário; na ficha: Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular. E a “fonte pagadora” será o seu próprio CNPJ.

Além disso, é importante colocar os valores pagos a título de INSS, se for o caso, no campo Contribuição previdenciária oficial.

Declarando os Lucros da PJ

Apesar de não incidir imposto algum sobre essa parcela dos seus ganhos, ela precisa ser declarada na DIRPF, e seu lugar é a ficha Rendimentos Isentos e Não Tributáveis.

Esta informação é importante para não haver suspeitas indevidas do fisco quanto ao seu patrimônio e padrão de vida.

MEI e Imposto de Renda Pessoa Física

Já o MEI (Micro Empreendedor Individual), ao contrário da hiper simplificação que propõe, pode apresentar algumas complicações na hora do Imposto de Renda. Eis aí mais um motivo para não recomendarmos o MEI a profissionais PJ.

Não pretendo aprofundar nesse ponto aqui. Afinal, não faz parte do escopo do blog Contrato PJ. Mas vejamos alguns detalhes:

  • Enquanto uma PJ normal (fora do MEI) pode retirar por volta de 72% (senão 100%) do seu dinheiro como lucros isentos, o MEI está limitado por lei a até 32%;
  • Pior ainda, quando o titular tem outra fonte de renda (inclusive um emprego CLT), boa parte do rendimento do MEI pode ser taxado pelo Leão na Pessoa Física, em 27,5%. 😨

Pois é, o diabo mora nos detalhes; e são os detalhes do MEI que podem torná-lo menos simples do que o Simples Nacional. Por isso não o recomendo nem para começar a carreira.

Passo a passo para declarar Imposto de Renda de profissionais PJ

Neste link você encontra instruções detalhadas sobre como declarar Imposto de Renda (pessoa física) de profissionais PJ e sócios de empresas.

PJ pode trabalhar igual CLT? Como se fosse CLT? Existe isso?

PJ pode trabalhar igual CLT?

Uma critica muito repetida às empresas que fazem pejotização é o famoso “tratar PJ como se fosse CLT”.

Infelizmente, isso é tão repetido nos comentários do nosso LinkedIn que achei necessário escrever algo mais aprofundado para esclarecer o mérito da questão.

Essa frase é um dos frutos daquele mal entendido no qual muitas pessoas da área caem: confundir ser PJ com trabalhar por conta própria. Erro clássico! 🤦

Apesar de eu já ter exaustado esse assunto aqui, vamos recapitular rapidamente.

Profissional Assalariado(a)

Profissional assalariado é aquele que cumpre jornada de trabalho diária numa empresa, e acaba ficando sujeito às regras internas. O assalariado, via de regra, trabalha com registro em carteira (CLT). Mas também pode abrir um CNPJ para formalizar sua relação como se fosse um fornecedor, embora seja uma relação carregada de pessoalidade.

Em ambos os casos ele é um assalariado, independente de receber o salário como pessoa física ou jurídica.

Nada o impede, porém, de ter horários flexíveis, liberdade geográfica e se auto organizar no trabalho, a depender da cultura da empresa e de outros fatores internos.

Profissional Autônomo(a)

Caso o mesmo colega trabalhasse por conta própria, atendendo vários clientes e dividindo seu tempo entre eles a seu próprio critério, aí sim seria um autônomo. E como tal, ainda poderia ou não ter um CNPJ (“ser PJ”) para faturar seus ganhos.

Veja como são dimensões diferentes. Portanto, não existe “PJ trabalhar igual ao CLT”!

O que poderia acontecer é um profissional autônomo sucumbir às exigências de um certo cliente até começar a trabalhar como empregado do mesmo. E isso não é de nenhuma forma saudável ou justo… Mas nada tem a ver com ter CNPJ, que é uma discussão completamente distinta.

Sobre Pejotização

Uma das premissas da Pejotização é que ela seja um acordo positivo para ambos os lados.

E por isso, é imprescindível que se alinhe as expectativas sobre a relação. Ou seja, responder claramente a pergunta:

Estamos contratando um assalariado(a) ou uma prestação esporádica de serviços?

Para ser mais pragmático ainda, o termo pejotização só costuma aplicar-se ao universo dos assalariados. Afinal, o profissional autônomo não deve satisfação a ninguém quanto à decisão de faturar como pessoa física ou jurídica.

Mais ainda, quando alguém comparece a uma entrevista de emprego, eu nunca vi espaço para esse tipo de dúvida…

Como dizer PJ em inglês

Como dizer CLT e PJ em inglês?

Em entrevistas com empresas do exterior, pode surgir a dúvida: como dizer CLT e PJ em inglês? Vamos aprofundar nisto hoje.

Enquanto “CLT” pode ser traduzido simplesmente por “employee”, os nomes para “PJ” têm algumas diferenças sutis entre si.

Por mais que a pejotização seja uma coisa brasileira, vários recrutadores gringos com quem eu já conversei sabiam que ela existia e como funciona aqui, mesmo os que não falavam português.

Então, trabalhar como PJ já não costuma ser algo fora do horizonte deles.

Mas é preciso usar o termo correto; e infelizmente muitos sites de curso de inglês não o fazem…

Os termos Self Employed, Independent Contractor, ou simplesmente Freelancer, são frequentemente usados e podem até servir para o contexto. Porém, há uma imprecisão!

Por que Self Employed não é exatamente PJ em inglês?

Todos esses nomes remetem ao profissional que trabalha por conta própria atendendo vários clientes, tal como o profissional liberal ou autônomo.

Então, usá-los numa entrevista pode dar a entender que você não quer ter com o empregador o mesmo tipo de relação que os demais empregados (employees) têm.

E talvez isso comunique uma intenção que não é a sua, principalmente se sua preferência diz respeito apenas a usar um CNPJ para receber o salário.

Então, qual termo seria mais adequado para definir o PJ assalariado?

Para passar essa mensagem, eu comecei a usar nas minhas frases as construções abaixo:

  • Own Business Legal Entity
  • Own one-person business legal entity
  • Own one-person company legal entity
  • Own Business Tax ID

“Legal Entity” ou “Business Tax ID” deixam claro que estamos falando de um “CNPJ”! Isto é, fazem menção à constituição jurídica conforme as leis locais, sem citar o tipo de relacionamento com o empregador. Quer dizer: elimina qualquer ambiguidade!

Isto seria o mesmo que dizer em português: “recebo o salário no CNPJ ao passo que trabalho como um funcionário normal” – isto é, a essência da pejotização.

Numa entrevista, eu disse “many Brazilian IT employees open their own business Tax ID for receiving their income…“, e a recrutadora entendeu de imediato.

Concluindo, saiba intercambiar os termos que vimos aqui para melhor comunicar as suas preferências de contratação com assertividade e sem dar margem a mal entendidos.

E você? Conhece algum outro termo para PJ em inglês? Comente!

Profissionais PJ podem financiar imoveis, veículos, comprar apartamento na planta e comprovar renda?

Profissional PJ pode financiar um imóvel?

Uma das dúvidas frequentes entre profissionais PJ é sobre como comprovar renda para financiar imóveis ou veículos, ou ainda comprar um apartamento na planta. A boa notícia é que profissionais PJ podem sim comprovar renda de maneira eficaz, mesmo sem carteira assinada.

Como profissional PJ comprova renda?

Assim como os trabalhadores CLT, o importante é mostrar uma fonte de renda estável e compatível com o compromisso que se deseja assumir. No caso dos profissionais PJ e liberais, em vez de holerites, basta apresentar os extratos bancários que demonstrem o fluxo de receita mensal. Esses documentos são tão válidos quanto o contracheque para comprovar o pagamento regular do salário.

Na prática, o profissional PJ é visto como um empresário perante a legislação. Ele gera sua própria renda por meio de um CNPJ, e os bancos e construtoras estão acostumados com essa situação. Em geral, os analistas de crédito compreendem a pejotização e analisam o histórico financeiro a partir dos extratos. O ponto central aqui é a estabilidade da renda e a capacidade de honrar as parcelas do financiamento.

Mas o PJ não tem FGTS…

Embora o profissional PJ não conte com o FGTS, que é um benefício garantido aos trabalhadores CLT, essa ausência pode ser compensada com uma reserva financeira própria, e mantida com disciplina.

Ao reservar mensalmente uma parte da sua renda, o PJ pode formar um fundo que, além de suprir emergências e imprevistos, funciona como uma poupança para realizar grandes aquisições, como um imóvel ou um veículo.

Essa autonomia permite uma gestão financeira mais flexível e personalizada às preferências individuais, podendo reder bem mais que o FGTS.

Dica de Leitura: “Comprando Meu Apartamento” 📖

Para quem busca entender melhor o processo de compra na planta e financiamento, o livro Comprando Meu Apartamento oferece um passo a passo super prático, útil tanto para CLT’s quanto para PJ’s, com dicas de planejamento financeiro e de como enfrentar as exigências do mercado imobiliário.

Saiba mais sobre o livro Comprando Meu Apartamento.


Com esses cuidados, o profissional PJ mostra que sua renda é confiável, facilitando a conquista de bens como imóveis e veículos.

Parceria - Essencial no regime PJ

Uma história de parceria no regime PJ 👏

Dias atrás, tive o prazer de reencontrar um velho colega de trabalho para um almoço. Fazia alguns anos que não nos víamos, desde que ele decidiu sair da empresa onde trabalhávamos para trilhar um novo caminho. Deixou o conforto da CLT em uma multinacional e embarcou em uma jornada desconhecida como PJ em uma consultoria.

Era um movimento ousado, especialmente porque aconteceu poucos meses antes da pandemia.

Durante nossa conversa, ele compartilhou uma experiência que ilustra o verdadeiro valor de uma parceria no regime PJ…

No auge da pandemia, a consultoria onde ele estava passou por momentos extremamente desafiadores. Os sócios, comprometidos com a sobrevivência do negócio e o bem-estar dos colaboradores, optaram por não retirar nenhum centavo da empresa durante alguns meses.

Para sustentar essa decisão, dependeram exclusivamente de suas reservas pessoais. Enquanto isso, os colaboradores também precisaram ajustar suas expectativas: houve redução salarial para todos, com alguns profissionais passando a receber R$ 2.000 a menos do que o salário normal.

E aí?

E o que aconteceu? Protestos? Exigências de direitos? Nada disso!

Tanto os sócios quanto os colaboradores decidiram enfrentar o desafio juntos. Foi um verdadeiro exemplo de parceria, em que o espírito de união prevaleceu sobre os interesses individuais.

É importante lembrar que, no início da pandemia, o trabalho remoto não era trivial e representava uma ameaça significativa à produtividade, especialmente em projetos e novos investimentos.

No entanto, essa união rendeu frutos. Antes de acabar 2020, novos contratos surgiram e a renda de todos voltou ao normal. Inclusive, hoje este meu colega é o gestor mais importante da consultoria depois dos donos: é quem faz as entregas saírem.

Desde o início, há mais de 5 anos, ele é cliente da Contrato PJ Serviços – abriu seu CNPJ e o mantém ali até hoje.

Na verdade, ele está conosco desde que a empresa se chamava Digitool, e ambos cresceram juntos. Um verdadeiro “prata da casa”!

Parceria 🤝

Essa história é um excelente exemplo de como o relacionamento e a negociação entre patrões e empregados podem ser conduzidos de forma saudável e vantajosa para ambos, mesmo em tempos de crise. Um verdadeiro ganha-ganha.

No regime PJ, as regras do jogo são diferentes, e a flexibilidade para negociar é essencial. A história do meu amigo é um lembrete poderoso de que, com entendimento mútuo e boa vontade, é possível superar adversidades e construir relações profissionais sólidas e duradouras.

Fica aqui a lição: parceria é a chave para obter ganhos superiores em qualquer cenário, e no regime PJ não é diferente.

Parabéns a todos que têm esse tipo de atitude, sejam CLT, PJ ou empresários.

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