FGTS ainda rende pouco? Com relação a quê?

No Brasil sempre foi um lugar-comum afirmar que os valores depositados no FGTS “não rendem nada”.

Tendo em vista que costumam ficar no fundo por décadas, não precisa pensar muito para entender a mazela dos empregados em regime CLT (pelo menos esta).

Daqui para frente, será que as coisas continuarão assim? Vejamos:

FGTS = Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

Rendimento é bom, ruim ou depende?

FGTS = SELIC

Primeiro de tudo, quando se fala que uma aplicação financeira rende muito ou pouco, tal afirmação precisa vir acompanhada de uma referência.

No capitalismo, cada país possui uma taxa de juro básico. No Brasil, temos a taxa SELIC, que a grosso modo também é chamada de CDI.

(Economistas que me perdoem, mas coloquemos assim para fins didáticos…)

Taxa Básica de Juros = Taxa que as instituições financeiras usam para empréstimos entre si, e que o Governo oferece para investimentos em títulos públicos federais.

A taxa básica de juros não é constante; varia com o tempo, pois é um instrumento de política monetária. No Brasil, ela é atualizada a cada 45 dias pelo Banco Central.

A nossa taxa SELIC estava em 14,95% a.a. na ocasião do impeachment de Dilma Rousseff. Antes ainda, chegou aos incríveis patamares de 25% e 45% ao ano. Na época da hiper inflação, o percentual dos 5 dígitos.

Usando a SELIC/CDI como referência, podemos dizer que um investimento é bom quando rende mais que o CDI, e ruim quando rende menos que o CDI.

Na época das taxas citadas acima, podemos avaliar que o FGTS era um investimento péssimo, já que sempre rendeu apenas 3% ao ano.

Seguindo pelo rumo da História, Temer “entregou” a SELIC reduzida a 7% ao ano, o que já foi um recorde para o Brasil.

Já no momento em que publico esse post, a taxa está em 3% a.a., exatamente o mesmo rendimento do FGTS.

Não é o objetivo aqui explicar se isso é bom ou ruim, ou se chegamos aqui por motivos bons ou péssimos; isso daria assunto para 10 posts, além do ineditismo da situação.

FGTS Hoje

Fato é que existe uma expectativa de juros baixos no Brasil por muito, muito tempo. E isso muda o jogo no mercado financeiro.

Consequentemente, o FGTS ganha o status de reserva de emergência bem administrada.

Quando os juros baixos chegaram para ficar no primeiro mundo (isso há décadas), o investidor desejoso de maior rentabilidade não teve outro caminho além da renda variável (entenda-se: bolsas de valores).

Por mais que não faça parte da cultura do brasileiro, a opção tem sido progressivamente viabilizada por aqui.

Vide os bancos de investimento digitais, as casas de análise independentes que nos infernizam no YouTube, os próprios youtubers, etc.

Cenário de primeiro mundo

Então, o novo cenário é: dinheiro da reserva* fica no FGTS, e os savings mensais vão à Bolsa, ao risco.

Até já foi atribuída a Paulo Guedes uma intenção de “privatizar” a gestão o FGTS. Isto é: deixar que cada cidadão escolhesse um banco privado de sua preferência gerir o dinheiro, bem como escolher o tipo de investimento.

Isso seria ótimo. Melhor ainda: com uma taxa básica de juros tão reduzida, nem precisa mais de tanta boa vontade política.

*Lembrando que o FGTS só pode ser usado em caso de demissão, doença grave, aquisição de imóvel ou calamidade pública; tipo uma pandemia.

“FGTS” dos profissionais PJ

Quando o profissional é contratado como PJ, nem o empregador nem o Governo são responsáveis por fazer uma reserva de emergência para o cidadão. A responsabilidade é dele.

Neste caso eu recomendo sim, e mais ainda, que o PJ tenha um dinheiro guardado para demissões e outras emergências.

Como esse dinheiro é destinado ao imprevisível, ele deve estar numa aplicação sem risco de desvalorização, e com liquidez diária. Sugestões eu deixo nesse post.

A vantagem do PJ é a flexibilidade de decidir onde quer investir, e poder sacar quando julgar necessário, independente de pandemias ou demissões.


Mas lembrando que tudo isso depende das Reformas, do Ajuste Fiscal, da segurança jurídica e dos temas a estes relacionados. Por trás de uma SELIC baixa, existe altíssimas expectativas dos agentes financeiros globais sobre o Brasil, que uma hora vai ser cobrada.

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FGTS

FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) é um direito trabalhista concedido a empregados do regime CLT.

Consiste num depósito mensal de 8% do salário bruto do empregado, feito pelo empregador sem desconto algum.

O FGTS objetiva ajudar o empregado em caso de perda do emprego, aquisição de imóvel e situações de calamidade pública.

Portanto, é uma reserva de emergência obrigatória.

E como tal, fica retido em posse do Governo rendendo 3% ao ano. E só pode ser resgatado pelo cidadão em situações específicas, como as citadas acima.

Profissionais PJ, por padrão, não tem FGTS. Mas nada impede que negociem um benefício similar, caso a caso.

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Ser PJ vs Segurança (Ou: como ficar rico)

Toda vez que converso sobre trabalhar como PJ com alguém contrário à ideia, as objeções sempre (sempre) giram em torno de duas coisas:

  1. Organização do próprio dinheiro
  2. Segurança

Obviamente, este blog não é escrito para induzir ninguém a nenhum tipo de ilegalidade. Porém, se traçarmos um paralelo entre essas objeções e alguns traços da cultura dos brasileiros, coisas curiosas vêm à tona.

Ser PJ vs Segurança | Ou: Como ficar rico
Como ficar rico, by Olavo de Carvalho

Recentemente, um intelectual a quem muito admiro falava em um curso fechado sobre a cultura predominante no Brasil, quando o assunto é trabalho e crescimento.

O professor Olavo de Carvalho começa falando que dificilmente viu um brasileiro nutrir desejos de ficar milionário, ganhar muito dinheiro e coisas dessa natureza.

Antes, ele sonha com a segurança. E essa necessidade se traduz em desejos como um bom emprego público e uma aposentadoria generosa.

Aí o professor articula: “Segurança é um ideal de velho e de doente; pessoas sem mais perspectivas (…), quando param de avançar para recuar”. Quando isso é um desejo na juventude, seria como entrar na vida de “marcha à ré”.

Ele afirma que é mais fácil ficar milionário do que conquistar a segurança, pois nem o milionário está seguro, uma vez que na vida é impossível ter garantias de bem estar perpétuo. Vide que os maiores investidores do mundo vivem monitorando as notícias do mercado financeiro, pois um simples fato pode aniquilar parte de sua riqueza no mercado de capitais.

Voltemos à discussão PJ x CLT: qual a segurança de um profissional com carteira assinada? Não ser “mandado embora”? Isso apenas os funcionários públicos estabilizados têm, por enquanto. A tal segurança, segundo a legislação atual (antes da Reforma) consiste em:

  1. Receber o FGTS ao ser demitido;
  2. Seguro desemprego
  3. Aviso prévio

Em vez de exigir essas e outras coisas, o professor aconselha: busque a FORÇA: A prioridade é ter sempre condição de reagir às situações, e não a de estar protegido. Napoleão dizia: “Atacar, atacar, atacar”, sem preocupações excessivas com a defesa. Ele ainda acrescenta, “parar de bater é quando se começa a apanhar”.

Por ter força no mundo profissional e empreendedor, entende-se: iniciativa, criatividade, fazer coisas. E isso é diferente do comportamento disseminado em nosso país, onde as pessoas manifestam rancor contra o governo e sistema, mas não fazem absolutamente nada para buscar melhores condições.

Voltando aos três tópicos ligados à tão utópica e desejada segurança:

  1. FGTS 
    O dinheiro aplicado em contas do FGTS passa a vida inteira rendendo UM TERÇO do que renderia em sua conta bancária. Além disso, um PJ tem a liberdade em aplicar esse dinheiro da forma e na quantidade que lhe convier (ações, renda fixa, exterior, ouro).
  2. Seguro desemprego
    Pode fazer sentido em qualquer mercado, menos naqueles com alta rotatividade e falta de mão de obra, como os pejotizados. Será que faz mesmo diferença? Talvez só para aqueles que conseguirem adiar seu novo registro para ficar recebendo o seguro…
  3. Aviso prévio
    Dá um tempo para se preparar e procurar uma nova colocação, mas garante o quê exatamente? É outra coisa que pode fazer sentido para pais de família sem muita qualificação, mas nem tanto para consultores graduados e com razoável inteligência emocional. Interpretar o cenário não deve ser algo impossível para estes.

Falando por sua experiência, Olavo conclui: “As pessoas que buscam segurança SEMPRE terminam mal…” O vídeo vai um pouco além, mas não cabe transpor tudo a esse post. Super recomendo a quem tiver maior interesse:

PS: Uma das formas de incrementar sua segurança atuando como PJ é justamente a boa organização do dinheiro. Mais sobre isso no artigo: PJ x CLT – Como organizar o seu dinheiro.

PNAD Julho 2016

– 11,3% de desemprego: a maior taxa já registrada pelo IBGE;
– 497 mil desempregados a mais do que no primeiro trimestre de 2016;
– 1.500.000 de carteiras assinadas a menos, nos últimos 12 meses;
– 11.600.000 milhões de pessoas desempregadas (CLT) atualmente.

Em nosso site você encontra todas as orientações para ser PJ.

Dados da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE.

PNAD Junho Desemprego CLT

Regulamentação de TI: Análise das reivindicações do Sindpd a Michel Temer

O “Sindicato da TI” está propondo leis e políticas que vão impactar você, seu trabalho, e seu bolso! No início de Junho de 2016, houve um encontro formal entre o presidente do sindicato e Michel Temer, com entrega de reivindicações sobre o setor.

Conforme noticiou a ComputerWorld, o Sindpd (Sindicado dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação) entregou em 10 de junho ao presidente em exercício Michel Temer uma série de reivindicações em prol dos profissionais de TI. Mas o assunto principal do encontro foi a criação de uma legislação específica para as profissões da área de tecnologia da informação – a regulamentação de TI, pleito antigo do sindicato. Ficou acertado, então, que a entidade elaboraria um projeto de lei para o presidente da República enviar ao Congresso.

Regulamentação de TI: O Sindpd entregou reivindicações a Michel Temer, sobre o setor de TI
Regulamentação de TI: O Sindpd entregou reivindicações a Michel Temer, sobre o setor de TI

O Sr. Antonio Neto, presidente do Sindpd, afirmou que o setor é promotor da inovação, do aprimoramento e da competitividade em todos os elos da cadeia produtiva. Salientou ainda que é sustentado por mais de 400 mil profissionais de alta qualificação, e que pelo fato de o segmento ainda não estar amadurecido, necessita de “mais regulação”.

A seguir, uma análise de Contrato PJ sobre cada uma das reivindicações feitas pelo sindicato:

[A “Regulamentação de TI”]

Direitos

Regulamentação das profissões da área de TI: criar leis que caracterizam as atividades dos analistas de sistemas e técnicos de informática.

Por incrível que pareça, não há legislação que caracterize o trabalho dos profissionais de TI. Em nossa visão, o efeito é mais glamour do que benefícios palpáveis.

Só pode exercer tal profissão quem tem curso superior ou um tempo mínimo de atuação.

Preferimos não opinar, mas fato é que há profissionais brilhantes que seguiram seu próprio caminho de aprendizado, e não se encaixaram na trajetória normal de passar por uma faculdade.

Manutenção dos direitos trabalhistas, que representam uma base mínima de proteção, dignidade e segurança.

A “proteção” mais evidente dos trabalhadores é sem dúvida o direito à aposentadoria, o qual está ameaçado pela má gestão previdenciária ante a nova dinâmica do crescimento populacional.

Vide casos do Rio de Janeiro, onde há funcionários públicos com a aposentadoria atrasada, e sem outra fonte de sustento. A “segurança” que o dinheiro do FGTS proporciona rende, por lei, um terço dos rendimentos do mesmo valor numa aplicação comum, perdendo até para a poupança e inflação. Justamente por se tratar de profissionais altamente qualificados, consideramos mais digno que tenham o direito de organizar suas próprias finanças, no curto e no longo prazo.

Fiscalizar as contratações ilegais, que geram perdas para a Previdência Social

Não ficou claro se o Sindpd pretende elevar-se ao patamar de “supremo árbitro” das contratações do setor tecnológico, dotado da atribuição de fiscalizar os contratos dos prestadores de serviços, consultorias e fornecedores. De qualquer forma, é interessante contrapor o argumento das “perdas previdenciárias” à imagem abaixo. Ela deixa bem claro que a maior parte (66%) da arrecadação do Simples Nacional é destinada ao INSS.

Sistema e-CAC: Valores repassados ao INSS na apuração do Simples Nacional
Sistema e-CAC: Valores repassados ao INSS na apuração do Simples Nacional

Por tanto, além das empresas “de verdade”, todo e qualquer profissional PJ enquadrado no Simples faz contribuições ao INSS sem receber os mesmos benefícios que os CLT.

Empresas Públicas

Fortalecer as empresas estatais da União no ramo; ABORTAR o projeto de lei 257/2016, que trata da renegociação das dívidas dos estados, bem como a supressão de todas as propostas de congelamento de salários de funcionários públicos, suspensão de concursos, redução de folha de pagamento e de privatização de estatais.

É lamentável que o representante de uma classe de pessoas com alto grau de instrução insista no egoísmo. Ao enfrentar um desemprego (o senhor já passou por isso?), há pai de família responsável que repudie o corte de gastos, chegando a exigir a manutenção deles?

Aperfeiçoamento tributário e política de desenvolvimento

[Em resumo:] Unificação de impostos, Lei do Bem, redução tributária, inclusão digital, políticas para incentivo ao desenvolvimento tecnológico, investimentos em datacenters e ampliação do Ciência sem Fronteiras.

Cada uma das propostas, isoladamente e nos seus detalhes, são grandes contribuições que o sindicato poderia fazer à sociedade, e não só ao setor de TI.

Compras de produtos de TI nacionais.

Seria o melhor dos mundos, desde que a empresa nacional detenha os méritos para vencer a competição com a estrangeira. Esse nacionalismo já deu frutos amargos, como o caso da Sete Brasil: ela não só quebrou, mas prejudicou toda a sua cadeia de fornecedores, diretos e indiretos, por cancelamento de contratos e não quitação de dívidas.

Outro caso é a Petrobrás, a qual hoje luta para se livrar do fardo (outrora privilégio) que é a obrigação de monopolizar o pré-sal. Acreditamos que a prevalência dos fornecedores de TI nacionais deveria ser uma meta, não uma obrigação.

Conclusão

Para a maioria do PJs, as reivindicações acima não vai agregar direitos, mas, na melhor das hipóteses, corroer seus planos econômicos. Isso se não expulsá-los de seus atuais empregos. Portanto, o Sindpd não está representando a todos com esse manifesto. Se o empregador não tem condições de contratar como CLT, e não puder fazê-lo como PJ, as consequências são só duas: (1) desemprego nas funções técnicas mais generalistas e (2) mais inflação em toda a economia, já que há tanta dependência da tecnologia de informação.

Então, é importante nesse momento que os profissionais façam-se ouvir sem a intermediação do sindicato. A melhor forma de fazer isso enviar emails para os deputados do seu estado, para o presidente da Câmara dos Deputados, para o presidente do Senado e – por que não? – para o gabinete do próprio presidente Michel Temer. No email, vale deixar claro o fato de o Sindpd nem sempre fazer uma representação plena da categoria, colocando-se como exemplo vivo.

Fontes:

http://computerworld.com.br/temer-promete-levar-ao-congresso-projeto-que-regulamenta-profissao-de-ti

Projeto de Lei 5101/16, que trata da regulamentação das profissões de TI, já em trâmite

Carta do Sindpd, na íntegra

Reportagem sobre o sindicato:

PNAD 1º Tri 2016 - 24,1% de desemprego. Nunca despreze uma oportunidade PJ

PNAD e os desempregados jovens – 1º Tri 2016

Dessa vez ela intimidou: A PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), publicada pelo IBGE em 19 de Maio de 2016, apontou que 24,1% dos profissionais entre 18 e 24 anos estavam DESOCUPADOS no primeiro trimestre do ano.

PNAD 1º Tri 2016 - 24,1% de desemprego. Nunca despreza uma oportunidade PJ

Essa é a média em todo o Brasil, pois há variações de região a região. No Nordeste, por exemplo, mais da metade da população em idade apta ao trabalho (51%) está desocupada.

O termo “taxa de desocupação” dá a entender que não se trata apenas da falta de um emprego com carteira assinada, mas que esses profissionais estão sem qualquer trabalho.

Quanto ao emprego registrado em carteira de trabalho (CLT), menos de 80% do pessoal ocupado está sob essa modalidade (média nacional). Contudo, há estados onde esse número é próximo a 50%. Ou seja, metade dos trabalhadores é CLT, enquanto a outra é PJ, autônoma ou informal.

Se você deseja estar bem preparado para quando aquela oportunidade PJ surgir, e enfim poder usufruir de TODO o seu rendimento, baixe gratuitamente nosso e-book “Como ser PJ – O Guia Completo“.

Fontes

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias.html?view=noticia&id=1&idnoticia=3162&busca=1&t=pnad-continua-taxa-desocupacao-sobe-todas-grandes-regioes-1%C2%BA-trimestre

 

2016: Impeachment e mercado de trabalho em TI

Impeachment é a forma mais branda de um governo cair, e o último no Brasil aconteceu há vinte e quatro anos. Portanto, não é algo que se vê todo dia.

Devido às mazelas recentes, tem se falado mais do que antes sobre “como resolver o problema econômico”, e seria muito saudável se essa discussão se perpetuasse nos meios políticos e empresariais sem depender do famigerado processo de impeachment.

Impeachment 2016. O que fazer com o mercado de trabalho no pós-Dilma?

Um pouco de política para PJs

Um ponto inevitável nesse assunto é o grau em que o Estado interfere na Economia e nos mercados, seja na forma de regulação, incentivos ou atuação direta.

Vou precisar explicar como isso afeta o mercado de trabalho de TI e demais profissões pejotizadas, mas sem deixar o texto ficar chato.

O Intervencionismo é uma escola de pensamento que defende o controle máximo da Economia pelo Estado. O extremo disso é a visão marxista de todas as empresas e propriedades pertencerem ao Governo.

No lado oposto – ou seja, que o Estado deixe os compradores, vendedores e trabalhadores fazerem seus negócios e acordos por conta própria, com burocracia e regulação mínima – estão os pensadores adeptos ao Liberalismo, ou liberais.

Como na maioria das situações, extremos não são saudáveis. O mercado não funciona com excesso de regulação e nem pode fazer todas as vontades do gigante Estado. Tampouco pode ser justo se não houver regras claras e zelo pela competição leal.

Em nosso cotidiano, o maior exemplo de mau intervencionismo são as leis trabalhistas:

  • Já expliquei em “CLT x PJ: Como a inflação os afeta e como se proteger” como a CLT obriga os trabalhadores a perderem dinheiro ao longo das décadas de serviço;
  • Qualquer trabalhador já fica caro para as empresas. Aqueles que ganham mais (TI, medicina, corretagem) acabam tão caros que, ou não têm emprego, ou precisam pagar uma fortuna em impostos, por causa de cálculos não pensados para eles;
  • As empresas gastam mais com burocracia e encargos do que remunerando seus profissionais mais valiosos.

Mas será que o próprio Estado não tem capacidade de ir adaptando suas leis ao longo do tempo, de forma que elas não percam a coerência e acompanhem a evolução tecnológica, cultural e cotidiana das pessoas e empresas?

Esse objetivo exige que mais de 200 milhões de cidadãos, representados por seus deputados, concordem em criar uma regra geral adequada para todos. A CLT tem mais de 60 anos, foi sancionada pelo presidente Getúlio Vargas em uma fase de industrialização tardia no Brasil. De lá para a era do Big Data, IoT e Analytics, pouca coisa mudou, devido às dificuldades legislativas em conceber uma regra perfeita e justa para o operário fabril, o data scientist, o motorista de caminhão, desenvolvedor, gerente de projetos, e demais perfis.

Depois do Impeachment

Um pequeno exemplo de liberalismo aplicado nas relações de trabalho seria permitir mais acordos bilaterais entre categorias, ou diretamente entre patrões e empregados. Seria ótimo se, por exemplo, a legislação desse a opção de a parcela do FGTS, em vez de custodiada pelo Governo, pudesse ser entregue ao profissional para ele guardar como desejar. Afinal, um analista financeiro tem mais informações sobre economia e investimentos do que um trabalhador que não teve a chance de terminar o ensino médio. Atualmente, é a inovação do “regime PJ” que supre essa necessidade.

Por questões ideológicas, o governo do PT praticou grandes influências na economia durante a última década. É um partido de políticas altamente intervencionistas.

Daqui para frente, esperamos que os inquilinos do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e dos ministérios, sejam quem forem, reconheçam o quanto o liberalismo cabe nas diferentes áreas da Economia. E principalmente que enxerguem a diversidade de perfis profissionais existentes no mercado, podendo tolerar relações trabalhistas tão diversas quanto.

Vale lembrar que a sociedade tem o papel de embasar essa empreitada, a começar pelo debate e disseminação de ideias.

PJ x CLT: Como aplicar o seu dinheiro

Organização PJ x CLT

O último post orientou profissionais PJ a se organizarem financeiramente para simularem os mesmos benefícios que um contrato CLT lhes garantiria. Apresentamos uma forma prática de simplesmente guardar parte do salário mensal para, depois de um ano, sacar como se fosse férias ou 13º salário. Ou quando sair do emprego, no caso do FGTS.

Agora, conforme prometido, vamos falar sobre como investir esse dinheiro no banco, para ter alguns ganhos a mais quando resgatar.

PJ x CLT: Como guardar o dinheiro no banco e ter rendimentos
Como guardar seu dinheiro

Ao contrário do que se pensa, não é necessário falar com o gerente do banco, perder tempo na agência nem pegar filas para fazer isso. As aplicações aqui recomendadas podem ser feitas via internet na maioria dos bancos tradicionais.

Primeiro, vamos aos conceitos básicos:

  • Fundo de investimento
    Para os leigos, é como uma segunda conta corrente onde o dinheiro fica guardado e rendendo juros. Na prática, é uma empresa que capta dinheiro de várias pessoas (como eu e você) e faz operações financeiras seguindo regras e políticas claras previamente definidas e aceitas pelos investidores.
  • Aplicação
    Simples ato de aplicar o dinheiro num fundo, deixando-o sob poder dele.
  • Desaplicação ou Resgate
    Quando o investidor toma seu dinheiro, ou parte dele, de volta do fundo.
  • Risco
    As regras de cada fundo determinam o risco das operações. Um fundo que investe apenas em ações em bolsas de valores é considerado de alto risco. Para o nosso caso, vamos ficar com os que investem em títulos atrelados a indicadores como inflação, SELIC (…), os quais não oferecem riscos de perda.
  • Taxa de administração
    Um fundo ganha uma porcentagem (entre 0,1% e 2,0%) dos capital investido (e não sobre os rendimentos que entregar). Quando você consultar seu saldo, verá o valor já com a taxa de administração descontada.
  • Liquidez
    A grosso modo, reflete o quão rápido é aplicar ou resgatar o dinheiro. Há fundos que permitem resgate instantâneo. Já outros, só liberam o dinheiro depois de alguns dias da solicitação.

Para as nossas finalidades, recomendo os fundos de investimento do tipo DI ou RF. Esses nomes são termos técnicos, e não cabe entrar em detalhes aqui. As características dessas modalidades são:

  • Baixo ou baixíssimo risco – pelas operações e regras do fundo, é impossível “perder dinheiro” (rendimento negativo). A pior situação possível seria problemas com a saúde financeira do banco ou no ambiente político, como no Plano Collor; e
  • Liquidez diária – o cliente pode resgatar seu dinheiro quando quiser, recebendo-o no mesmo dia.

Na maioria dos grandes bancos brasileiros, os clientes conseguem fazer aplicações e resgates via internet ou no caixa eletrônico. Para fazer isso, simplesmente, procure pela palavra “Investimentos” no menu do seu bank line. Na primeira aplicação, é perfeitamente normal que o usuário assine virtualmente um contrato com o fundo.

Rendimentos

O objetivo das aplicações aqui tratadas não é deixar ninguém rico, mas sim ensinar ao profissional como guardar suas provisões sem risco de perda.

No cenário atual (Jan / 2016), os fundos DI e RF tem rendido aproximadamente 10% ao ano (0,95 ao mês), lembrando que o Brasil está num momento de juros altos devido à crise econômica.

Para se ter uma ideia de como o Governo administra mal o dinheiro dos trabalhadores, comparemos isso com o rendimento do FGTS: 3% ao ano!

Contra Recomendações

Antes de encerrar, vamos falar um pouco sobre o que um profissional PJ NÃO deve fazer com o dinheiro poupado. Vale lembrar que os bancos (na pessoa dos seus gerentes) tem metas mensais agressivas com produtos que dão dinheiro para o banco, mas não necessariamente para o cliente. Esse é exatamente o caso de:

  • Poupança
    Pelo menos no atual cenário, a Poupança se provou o pior tipo de investimento possível. Para evitar os saques que vem sendo feitos, muitos bancos (principalmente os públicos) estão oferecendo sorteios de prêmios para quem poupa. A menos que você tenha muita sorte, não recomendamos usar a poupança.
  • Títulos de capitalização
    É parecido com um fundo de investimento. Mas o cliente se compromete a aplicar mensalmente um valor, para receber com juros ao final de um período, e ainda concorre a prêmios em dinheiro.O problema é que os juros são substancialmente inferiores ao que qualquer fundo pagaria. E esses juros só são pagos caso o dinheiro fique aplicado até o final do período.
  • Fundos de alto risco
    Fundos cambiais, de ações e multimercados são exemplos daqueles onde pode haver perda do dinheiro investido, devido à natureza das suas operações. Obviamente, não é o ideal para quem só está guardando o dinheiro para o fim do ano.
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PJ x CLT: Como organizar o seu dinheiro

PJ x CLT

Apesar de a CLT ter grandes descontos sobre o salário base, o profissional fica livre de organizar suas finanças, pois o Governo o faz. Mas será que as reservas do FGTS não rendem menos do que renderiam no seu banco? Será que a soma de todas as contribuições ao INSS não daria, daqui a 30 anos, um rendimento bem superior à sua aposentadoria?

Se você é um profissional PJ e ainda fica perdido na organização do seu dinheiro ou sobre qual o modo correto de guardá-lo, esse artigo foi feito para você.

PJ x CLT: Cédulas de reais

Organização

De um modo análogo à CLT, propomos que seu salário bruto seja dividido em “provisões” para todos os benefícios trabalhistas. Algumas empresas oferecem 13º e férias aos funcionários PJ; em todo caso, calculemos sobre o montante pago por ano.

Supondo que você ganhe R$ 6.000,00 por mês, ou R$ 72.000 por ano, vejamos:

  • 13º salário: se quiser um salário a mais no Natal, precisaria poupar 1/12 da sua renda cada mês. Neste caso, R$ 500,00.
  • Férias: com ou sem o “descanso remunerado anual” do PJ, caso queira ter um dinheiro extra para fazer uma viagem, comprar um eletrônico ou coisa do tipo, precisaria poupar 1/12 de um terço do salário. Portanto, R$ 166,67.
  • FGTS: É uma espécie de reserva para emergências bancada pelo empregador, a qual fica nas mãos do Governo, e é devolvida ao trabalhador em caso de demissão. Pela CLT, corresponde a 8% do salário base. O PJ pode guardar mais ou menos do que isso, como preferir. No nosso exemplo, R$ 480,00.

Então:

PJ x CLT: Planilha básica para organização financeira de um PJ
Planilha básica para organização financeira de um PJ.

Na verdade, você pode fazer quantas provisões desejar e na porcentagem que preferir. Basta baixar a planilha acima e incluir a sua viagem para a Califórnia, pós graduação, carro, MBA e seus sonhos de consumo. O importante é ter um objetivo para o dinheiro guardado, podendo ser de curto ou longo prazo.

No próximo post, falaremos das formas de se aplicar esse dinheiro no banco, para ganhar uns trocados extras como juros. Vai ser algo levemente mais técnico sobre finanças pessoais.

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PJ: Quanto pedir a mais no salário

Diferente de quem tem carteira de trabalho assinada, o profissional PJ não tem acesso a certos benefícios nem assistência público, pois não é considerado um “empregado”, mas sim um “empresário” diante da Lei.

Sendo assim, é coerente que o salário do PJ passe por uma compensação justa. O vídeo abaixo mostra duas formas de converter um salário CLT para PJ.

 

Analisando os custos para empregar um funcionário CLT, vemos que o valor de impostos e encargos a serem pagos para o Governo pode chegar até três vezes o salário do trabalhador.

Este custo varia conforme o ramo da empresa, regime de apuração de lucros e sindicato de classe.

O patrão se beneficia por não possuir vínculo empregatício com o contratado: além de pagar mais e gastar menos, elimina tarefas burocráticas que não agregam nada ao negócio.

O profissional contratado como PJ, por sua vez, precisa ter disciplina, organização e uma boa administração pessoal. Ele será o único responsável por estabelecer e manter uma poupança anual (para sacar no fim do ano caso deseje ter um 13º salário), um fundo de garantia pessoal (para fazer o papel do FGTS, em caso de demissão) e pagar seus encargos para o INSS, citando alguns exemplos.

Essa noção é importante para que o cidadão garanta sua estabilidade e possa assegurar seu o futuro.

Como toda essa provisão precisa vir diretamente da remuneração mensal acordada, o mercado costuma pagar aos PJ salários brutos mais altos do que aos CLT’s.

A economia do patrão varia entre ramos de atividade de porte da empresa. Mas, no mínimo, um acréscimo de 20% é justo para o CLT virar PJ.

Como tem muitas variáveis envolvidas, e tudo é negociável, não é incomum no mercado (sobretudo de TI) vermos PJ ganhando 30%, 40% e até 50% a mais do que se fossem CLT.

Agora que você já sabe o quanto pedir a mais no regime PJ, veja como conduzir uma negociação salarial com justiça e coerência (para os dois lados).

Última atualização em 11/07/2020.

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